História Clínica da Violência
A EMISSÃO VIOLENTA
A MENSAGEM VIOLENTA É A VIOLÊNCIA DA MENSAGEM
CONTACTO VIOLENTO
CÓDIGO VIOLENTO
O código da violência, como tudo na vida, toma dialectos e até microdialectos familiares ou mesmo dos casais ou parelhas. Na linguagem das feministas defensoras da criminalização da violência diria-se que, se uma mulher sabe que o seu marido, namorado ou companheiro tem ciúmes; se essa mulher sabe exactamente em que situações o seu par fica com ciúmes e, mesmo assim, procura essas situações para lhe causar ciúmes, pois essa mulher está a cometer um crime de violência por maus tractos psicológicos e pelo sofrimento que assim, causa ao marido ou companheiro.
O CONTEXTO DA VIOLÊNCIA
Todas as pessoas são violentas, o que varia é o modo de exprimir essa violência e o contexto dessa expressão. Uma mulher que ocupe cargos de chefia, pode ser extremamente violenta para com os seus subordinados, no local de trabalho, e depois em casa, no ambiente familiar, mostrar-se dócil e subserviente para com o marido.
Parece que, a percentagem de pessoas violêntas, se tem mantido ao longo da história da humanidade; pelo que a concentração de pessoas nos meios urbanos leva a uma concentração da violência que, por intermédio de grupos e bandos organizados, se amplifica intensamente com maior poder destrutivo.
No próprio ambiente do agregado familiar, parece que, em relação com o numero de pessoas, quanto menores dimensões tem a habitação, maior a propensão à violência familiar. Isto é, o contacto interpessoal, forçado e involuntário que é estabelecido, no seio do agregado, proporciona situações de violência intra familiar.
Somos assim, levados a pensar no binómio entre o emissor da violência e o ambiente que estimula e provoca a emissão dessa mesma violência.
ABORDAGEM POLITICA DA VIOLÊNCIA
Naturalmente os comportamentos e acções violentas centrados no receptor são exercidos por todas as pessoas cujo objectivo é mudar o comportamento alheio. Assim, além da propaganda e acção politica, também as actividades comerciais dirigidas ao consumo e as activistas relacionadas com os direitos das vitimas, são uma forma de violência, já que causam necessidades e insatisfações que de outro modo não seriam sentidas. A análise politica da violencia resulta de as analistas serem sempre lideres de movimentos sociais, com o objectivo de atingirem o poder poilitico; assim, elas próprias projectam os seus sentimentos e desejos escondidos de alcaçar o poder, nos emissores de respostas violentas, e desconsideram as outras formas de abordar a violência. Estas pessoas estão também muito habituadas a usar a violência social e pressões de toda a ordem para alcançar a liderança e supremancia e, por isso, apenas consideram o uso da violência, como forma de exercicio de poder sobra a vitima. Usam a violência para combater a violência e entram, assim, num circuito fechado e amplificador dos comportamentos violêntos. De facto, ainda que o estado, como comunidade politicamente organizada, se autolegitime no uso da violência; esta só pode ter a sua expressão quando usada por pessoas. As pessoas que executam a violência organizada do estado contra o cidadão são, elas próprias, violentas.
Não é por a violência, dos grupos organizados em associações, partidos, etc., constantemente propagandeada nos meios de comunicação social, ser praticada com a conivência do estado, que esta deixa de causar dano e sofrimento aos cidadãos, vitimizados. Por outro lado quem, lider de organizações sociais, com a permissão do estado, pratica a violência, sublima a sua atitude agressiva de tal ordem que, acredita estar a contribuir para aliviar o sofrimento das vitimas, quando de facto o que faz é criar novas vitimas.
TEORIA COMUNICACIONAL DA VIOLÊNCIA
Já verificamos que a violência é uma resposta a um estimulo.
Assim, temos:
Pergunta: Quem responde com violência?
Resposta: O emissor.
Pergunta: Quem vai ser submetido a violência?
Resposta: O receptor.
Pergunta:Qual o significado da violência?
Resposta: A mensagem.
Pergunta:Quais são as regras de entendimento, combinadas(implícita ou explicitamente) entre o emissor e o receptor que permitem a violência?
Resposta: O código.
Pergunta:Quais os ambientes ou situações que referenciam a violência?
Resposta: O contexto.
Pergunta:Qual é o meio usado para transmitir a violência?
Resposta: O contacto ou canal.
Aqui, aparentemente, a violência significa um entendimento combinado sobre uma mensagem que, em determinado contexo, um emissor transmite para um receptor, usando um canal ou contacto apropriado.
A violência não tem de ser uma mensagem, ela pode também ser um código violênto, um contacto ou contexto violentos ou qualquer outro elemento da comunicação.
A linguagem da relação violênta tem as suas funções:
Quando se centra no emissor da violência, salientando as suas opiniões, sentimentos e emoções; predomina a função emotiva ou expressiva.
Quando se centra no receptor da violência de modo a influenciá-lo, ou chamar a sua atenção, como ocorre nos discursos políticos em que se pretende a persuasão; predomina a função apelativa ou conativa.
Quando se centra ou coloca em evidência a própria resposta violenta como modo de interacção entre as partes; predomina a função poética.
Quando se centra na forma ou método de violência utilizado para comunicar com o outro; predomina a função metalinguística.
Quando se centra nas informações objectivas que a violência procura transmitir entre o emissor e o receptor; predomina a função denotativa ou referencial.
Quando se centra na contacto violento como meio de comunicação; predomina a função fática.
A perespectiva comunicacional da violência não abrange todos os seus aspectos. De facto, esta perespectiva pressupõe um emissor e um receptor e, na violência autodirigida, os dois elementos confundem-se. Também aqui a violência é entendida como uma resposta comportamental dirigida para o exterior, o que na maior parte da situações violentas, não acontece. Efectivamente as respostas violêntas, aos estimulos desencadeantes, são na sua grande maior parte fisiológicas, emocionais ou sentimentais, da esfera privada do respondente. Estas respostas podem compreender, desde meras fantasias cógnitivas, até repostas endócrinas e fisiológicas próprias do organismo respondente e sem qualquer manifestação externa.